Tratamento (Psicoterapia cognitivo-comportamental) e Neurofeedback (Neuroterapia)

" Os homens são movidos e perturbados não pelas coisas, mas pelas opiniões que eles têm
delas." (Epicteto - filósofo grecolatino nascido em 55 d.C )

O termo psicoterapia abrange todos os métodos de tratamento psicológicos e busca: remover, modificar ou retardar sintomas existentes; corrigir padrões de comportamentos desadaptados e promover o desenvolvimento e o crescimento positivo da personalidade.

Pode-se definir a psicoterapia como um processo cognitivo, emocional, comportamental e social complexo, que ocorre num contexto interpessoal (paciente e terapeuta).O processo terapêutico, na perspectiva cognitivo-comportamental, envolve em geral oito passos ou movimentos: conceituação do(s) problema(s) enfrentado(s) pelo paciente; desenvolvimento de uma relação de cooperação/participação ativa (paciente e terapeuta); motivação para o tratamento; formulação do problema; estabelecimento em comum de metas; educação do paciente sobre o modelo cognitivo-comportamental; intervenções cognitivo-comportamentais; e prevenção de recaídas. Ainda nesta perspectiva, uma relação terapêutica é eficaz quando existe uma interação entre as qualidades pessoais do paciente e do terapeuta.

A Psicoterapia Cognitivo–comportamental é uma técnica reeducativa e que foi desenvolvida, aprimorada e extensamente difundida na Europa e nos Estados Unidos nas últimas décadas e vem mostrando-se eficaz para tratar os estados de ansiedade e outros distúrbios psicológicos. A TCC (um termo mais comum), pode ou não ser associada a medicamentos, entretanto passa a ser a principal forma de terapia, quando não há indicação para o uso de medicamento ou este cause efeitos colaterais intoleráveis ou ainda existe impossibilidade clínica para o seu uso.

O pressuposto central da Teoria Comportamental é o de que um comportamento disfuncional foi aprendido e que pode ser desencadeado por sinais internos e externos associados a ele. A Terapia Comportamental auxilia o indivíduo a modificar a relação entre a situação que está criando dificuldade e a habitual reação emocional e comportamental que ele tem naquela circunstância, mediante a aprendizagem de uma nova modalidade de reação. A nova aprendizagem é conseguida através de técnicas apropriadas a cada caso.

A Cognição é um termo amplo que se refere ao conteúdo dos pensamentos e aos processos envolvidos no ato de pensar. Assim, são aspectos da cognição as maneiras de perceber e processar as informações, os mecanismos e conteúdos de memórias e lembranças, estratégias e atitudes na resolução de problemas.

A Terapia Cognitiva nasceu nos EUA na década de 60, com trabalhos pioneiros de Aaron T. Beck, M.D. e na década de 80 atingiu o status de “sistema de psicoterapia”, consistindo em : (1)uma teoria de personalidade e de psicopatologia com sólidos achados empíricos para sustentar seus postulados básicos; (2)um modelo de psicoterapia com conjuntos de princípios e estratégias que combinavam com a teoria da psicopatologia e (3)achados empíricos sólidos embasados em estudos de resultados clínicos para apoiar a eficácia dessa abordagem. A Terapia Cognitiva tem suas origens em correntes filosóficas e religiões antigas como o estoicismo grego, taoísmo, budismo que postulavam a influência das idéias sobre as emoções.

Diversas formas de terapia cognitivo-comportamental foram desenvolvidas por pesquisadores e teóricos importantes e podem ser classificados sob duas referencias epistemológicas básicas: o Objetivismo ou Racionalismo e o Construtivismo – Nos EUA o pioneiro Aaron Beck, Albert Ellis  com a terapia racional-emotiva, Donald Meichenbaum com a terapia de modificação cognitivo-comportamental, entre outros e os Construtivistas- Na Itália Vittorio Guidano com a terapia cognitiva pós-racionalista, em Portugal Óscar Gonçalves-com a terapia cognitiva narrativa, Michael Mahoney, Construtivismo, entre outros.

Sem destacarmos as particularidades de cada uma das referencias epistemológicas, podemos entender que a terapias Cognitivas baseiam-se no pressuposto teórico de que os afetos e os comportamentos de um indivíduo são determinados em grande medida pelo seu modo de estruturar o mundo.

Isto quer dizer que a visão do mundo possuída por uma pessoa, influencia a forma como pensa, sente e age.

As técnicas psicoterápicas a auxiliam a identificar, avaliar, controlar e a modificar as crenças que comandam a sua visão de mundo e que podem ser disfuncionais . Crenças são "certezas" que o indivíduo constrói através da experiência e algumas podem condicionar a sua vida, perturbando-o, podem ser : "Tenho que ser perfeito"; "Sou um incapaz"; "O mundo é perigoso".

>> Acesse e leia mais sobre a TCC (publicado na revista IstoÉ edição 2123)

 

Neurofeedback (Neuroterapia)

Na estruturação ou implementação do programa terapeutico, pode-se optar pela utilização do Neurofeedback. O Neurofeedback, conhecido também como EEG Biofeedback ou Neuroterapia, é um processo de estimulação das capacidades naturais de desenvolvimento e readaptação do cérebro. Em várias situações clínicas, o Neurofeedback possibilita otimizar ou modificar comportamentos desadaptados, melhorando de forma consistente o funcionamento do cérebro.

O equipamento utilizado em Neurofeedback (hardware e software) é 100% seguro, não produz nem emite irradiação elétrica ou magnética e não há risco de choque. Utilizando-se dispositivos computadorizados, conectados a sensores na superfície do couro cabeludo (procedimento confortável, indolor e não invasivo), a atividade elétrica do córtex cerebral traduzida em ondas (Delta, Theta, Alfa, etc) é captada, amplificada, filtrada e transformada em sinais digitais, tornando possível observar-se certos processos mentais, em tempo real.

A partir desses registros, analisa-se a coerência das ondas, de suas frequencias e amplitudes nas regiões identificadas. Alguns tipos de ondas cerebrais estão associados a conhecidos estados cognitivos, tais como: atenção, concentração ou mesmo dispersão, devaneio, ansiedade, relaxamento ou sono profundo, depressão, entre outros.

Assim, é comum encontrar-se padrões elétricos distintos na área cortical de indivíduos com transtornos psicológicos : Déficit de Atenção com e sem Hiperatividade, Depressão e outras perturbações do humor, Obsessivo-compulsivo, Abusos de substâncias, Ansiedade, Estresse Pós-traumático,etc.

As modificações da atitude mental do paciente serão possíveis, mediante exercícios cognitivos previamente estabelecidos pelo terapeuta em protocolos de acompanhamento, promovendo  assim uma potencialização elétrica e química entre os neurônios, essencial para a harmonização das ondas e consequentemente do desempenho cerebral.

A prévia identificação de ondas cerebrais desarmoniosas,  poderá evitar que outros desajustes psicológicos se manifestem futuramente, tais como: baixa auto-estima, dificuldades de socialização e desempenho escolar deficitário.


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